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Depois de 80 anos distantes, amigos trocam vídeos pelo Whatsapp e marcam reencontro


Sinval, de 89, e Paulo, de 96, se viram pela última vez na década de 1930; neste fim de semana, depois de uma vida inteira, eles vão se reencontrar no Norte de Minas. Amigos marcam encontro após 80 anos sem se verem no Sul de MG
No fim da década de 1930, a seca castigava o Norte de Minas e forçava os moradores da região a procurar novas formas de sustento, algumas vezes, inclusive, em outros locais do estado. Foi neste cenário que a família de Sinval Martins Melo, hoje com 89 anos, se viu obrigada a se mudar de Porteirinha para o Vale do Rio Doce em uma jornada de mais de 40 dias a pé. O então garotinho deixou para trás a sua terra e também os amigos, entre eles, Paulo José dos Santos, atualmente com 96 anos, a quem chama de “protetor”.
Uma vida inteira se passou, seguindo estradas diferentes, e essa amizade foi mantida apenas na lembrança até que, por sorte do acaso, os caminhos de Sinval, que desde a década de 1950 mora em Belo Horizonte, e Paulo, que continuou em Porteirinha, voltaram a se cruzar. E foi um longo caminho percorrido até que dois netos deles, por coincidência ambos economistas, conseguiram colocar os avôs em contato. Primeiro, eles trocaram vídeos por Whatsapp – com a ajuda da família – e, neste fim de semana, vão se reencontrar pessoalmente.
Sinval Martins Melo quer reencontrar o amigo que não vê há 80 anos
Reprodução/G1
Mariana de Melo Salemi, de 28 anos, é quem explica o trajeto, quase tão longo quanto o percorrido por Sinval de Belo Horizonte ao Norte de Minas, para que os amigos de infância pudessem matar as saudades acumuladas nestes 80 anos.
“A cunhada da minha sogra, a mãe dela nasceu em Porteirinha, que é uma cidade muito pequena. Aí, a cunhada falou que ia conversar com meu avô para ver se encontrava alguém conhecido. E meu avô foi contando a história dele, e ela foi citando as pessoas para ver se ele conhecia. E, por coincidência, o neto do seu Paulo é primo dela”, disse.
Logo que Paulo Sérgio Tolentino, de 48 anos, soube da coincidência, ele teve a ideia de gravar um vídeo com o avô. “Oitenta anos. Tem gente que nasceu, teve filho, neto e já morreu. E os dois ainda estão aí. Esse reencontro é quase um fato histórico”, afirma o economista.
Assim que recebeu a gravação, Sinval teve certeza que aquele senhor só poderia ser seu velho amigo. “Eu olhei assim e pensei, só pode ser ele. Reconheci na hora”, conta o professor de microbiologia aposentado, apesar de o Paulo de hoje em dia não se parecer com o rapazinho de quem se despediu em 1938.
Ele relembra que, na infância, chegou a morar por tempo na fazenda da família de Paulo para estudar. “A lembrança que eu tenho muito dele é que ele era mais eu menos meu protetor. Ele era maiorzinho e sempre me protegia nas brincadeiras. Ele sempre estava do meu lado me ajudando. (…) Lembro de quando a mãe dele fazia comida para gente e ele pegava um pedaço de carne dele e passava para mim. Ele é fabuloso”, recorda Sinval com carinho.
O professor aposentado começou a viagem nesta quinta-feira (11) e deve se encontrar com Paulo nesta sexta-feira (12). “Eu fico muito alegre em revê-lo. Eu já tive muita vontade de reencontrá-lo. Estive na região uma ocasião, mas não consegui encontrar”, afirma.
Paulo Sérgio diz que o avô também está ansioso e de “braços abertos” para esse reencontro. “Tem gente que não liga para essas coisas, mas quem para valoriza a cultura, a memória, dá valor demais para isso”, diz.

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Fonte: MG – Grande Minas <g1.globo.com>

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