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Exposição em Montes Claros mostra transformação de animais que moravam na rua e foram adotados


Imagens mostram semblantes dos bichinhos que estavam abandonados depois de serem cuidados pelos donos; iniciativa é de um grupo de cuidadores em parceria com um shopping. Exposição mostra transformação dos bichinhos depois da adoção e chama atenção de quem passa pelo shopping
Juliana Gorayeb/G1
Abandonar animais de estimação é crime no Brasil. Apesar disso, milhares deles vivem nas ruas e correm riscos de maus tratos e atropelamentos todos os dias, além do contagio de doenças. Segundo o Centro de Controle de Zoonoses, estima-se que só em Montes Claros existam 5 mil cães que vivem sem um lar. Para estimular a adoção e tentar mudar a vida destes bichinhos, um grupo da cidade teve a ideia de mostrar as transformações que o amor pode promover na vida dos peludos; uma exposição do grupo Focinho Feliz traz o antes e depois de cachorros e gatos que moravam nas ruas e conseguiram um lar.
A iniciativa se deu através de quadros. De um lado das telas está a carinha de animais que estavam, na maioria dos casos, feridos e desnutridos antes do resgate. Do outro, eles aparecem felizes, bem cuidados, com semblantes totalmente diferentes. Para eles, o divisor de águas foi a adoção. A assistente social e cuidadora, Anne Macedo, propôs que as telas fossem colocadas nos corredores de um shopping da cidade, no Bairro Cidade Nova. As imagens chamam atenção de quem passa pelo local.
A cuidadora conta que o objetivo é mobilizar a sociedade e mostrar que os animais não precisam de muito para serem felizes. “O principal que eles precisam é cuidado, amor. Às vezes tem gente que adota sem ter condição financeira, mas tem amor, tem consciência, e fica tudo bem. Com essa dedicação, o cachorro se transforma totalmente até na fisionomia. Do dia em que são resgatados até alguns meses depois, muda completamente para melhor. É uma forma de fazer o bem a eles”, diz.
Anne explica que a ideia de montar a exposição surgiu depois de um encontro de vira-latas. As fotos chamaram tanta atenção que o grupo Focinho Feliz resolveu aprimorar as telas e deixá-las expostas. “O grupo ficou super empolgado quando apresentei a ideia. Tudo começou quando fizemos um encontro de vira-latas no mesmo shopping, porque o evento já existia para outras raças. A ideia era mostrar que os de raça não são melhores ou mais bonitos do que os outros. Durante o evento em agosto tivemos a ideia da exposição. Como ficou muito legal, resolvemos aprimorar e trazer para dentro do shopping. Deu certo”, comemora a assistente social.
Ao todo, são nove telas que mostram as transformações dos animais. Todos foram resgatados em Montes Claros e a maioria apresentava desnutrição, ou problemas de saúde, como tumores ou até ferimentos expostos. Alguns foram levados até a outros países pelos donos que se apaixonaram por eles.
“São todos da região. Tem um que foi resgado aqui em Montes Claros e a dona levou para Varzelândia. Tem um que mora nos Estados Unidos. Uma professora equatoriana que morava em Montes Claros quis ajudar e acabou o adotando. Foi embora para outro país e levou ele. Escolhemos colocar este caso até para ressaltar a importância de levar o animal para onde for. Muita gente muda de bairro e abandona, enquanto a professora mudou de país e mesmo assim levou o bichinho”, conta Anne.
Novo lar
Quem viveu o ato de amor na prática se emociona com a iniciativa. A arquiteta Gracielle de Moraes teve a história dela e da Nina, cachorrinha que ela adotou, estampada em uma das telas. As duas se conheceram por acaso, em dias de sofrimento que a Nina enfrentava. A cadelinha vivia no Bairro Maracanã e recebia cuidados de funcionários de uma escola municipal. Por conta do grande porte que tem e dos problemas de saúde, não era bem-vinda em todos os lugares e sofria agressões às vezes.
Nina foi encontrada pela Anne, a responsável pela iniciativa da exposição e membro do grupo Focinho Feliz. A cadelinha vivia com a vulva sangrando e tinha tumor venéreo transmissível (TVT), por isso foi levada pela cuidadora ao veterinário para se submeter às sessões de quimioterapia. No consultório, ela acabou se esbarrando com quem se tornaria a família dela.
Nina tinha medo de carinho quando foi resgatada, e hoje faz parte dos momentos felizes da família que a adotou
Montagem/ G1
“Eu tinha uma gatinha que ficou ferida na concertina, quando tentou pular o muro. Como ela sofreu arranhões, eu a levei ao veterinário. Foi lá que encontrei a Nina. Ela se chamava Marina e estava no consultório esperando sarar a castração para que alguém a adotasse. Já veio me cheirando e nesse momento eu me apaixonei por ela e adotei”, conta Gracielle.
Apesar de ser grande, Nina estava debilitada e tinha medo de tudo. A adaptação foi difícil, mas segundo a Gracielle, logo ela se soltou. “No início, quando ela chegou em casa, até para adular a cabeça dela, ela tremia todinha. Só ficava dentro de um quartinho bem encolhidinha e tremia o tempo inteiro. Depois, ela começou a se adaptar. Ela é muito grande. Acredito que pelo fato de ser grande, o pessoal devia ter medo dela e a espantava. Percebi que quando a gente ia varrer a casa, ela tinha pavor de vassoura. Imaginei que as pessoas batiam nela com vassoura. Hoje ela adora a vassoura, até gosta que a gente coce a barriguinha”, relata a arquiteta.
Além da história da Nina, as outras oito telas expostas no shopping falam sobre as transformações dos animais adotados, assim como ela. O Focinho Feliz instalou ainda no espaço uma caixa onde as pessoas que visitarem o local podem colocar sacos de ração, que vão ser doados a cuidadores que resgatam animais de rua. A exposição fica no local até o dia 9 de novembro. O endereço do shopping é Avenida Donato Quintino, nº 90, Bairro Cidade Nova.
Grupo Focinho Feliz
Grupo promove ações para conscientizar e estimular a adoção em Montes Claros
Focinho Feliz/ Divulgação
Para tentar promover o amor aos animais e resgatá-los de condições de risco, 12 cuidadores independentes se uniram e criaram o grupo Focinho Feliz. A iniciativa ainda não se tornou uma ONG e cada um segue ajudando animais nas casas deles, ou captando pessoas que possam adotá-los com responsabilidade.
Os membros do grupo se conheceram pela internet e quando perceberam que podiam fazer mais, decidiram criar o nome e identidade visual. O Focinho Feliz existe desde 2015 e se mantém através de doações dos próprios envolvidos no projeto e de terceiros. As quantias arrecadadas e materiais servem para cuidar dos bichinhos feridos que o grupo tira das ruas, além de ajudar nos gastos com vacinas e castrações.
O grupo não tem sede própria. Para colaborar com a causa do Focinho Feliz, os interessados podem procurá-los nas redes sociais.

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Fonte: MG – Grande Minas <g1.globo.com>

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